domingo, novembro 05, 2006

Depois de ler "Praças e Quintais", de Rui Pires Cabral



Bom é gostar daquilo que os amigos escrevem
e não ter que mentir na volta do correio.
Não há felicidade mais em conta nos tempos
que correm. Somos gratos a quem nos elucida
sobre a queda do cabelo ou a fraqueza da razão,
a quem nos lembra que ainda temos tempo
de morrer acompanhados. E, só por esta vez,
esquecemos todo o nojo que sentimos
de nós próprios, escolhemos a camisa mais
lavada, escovamos o sorriso, e recebe-nos a rua
– quem diria! – com um beijo em cada face.

4 Comments:

Blogger Vida Involuntária said...

Bom é ter poucos amigos
poetas, para não ter de
trair a lisura do afecto
ou do texto.Mesmo
esses poucos chegam
a nenhuns, se não conseguirmos
cair de cu, perante um poema
merdoso.Um amável trintão
muito badalado ou
um sénior com vários
prémios literários, esperam
ofuscar-nos com o inócuo
verbo.Assim ficamos sós,
fiéis a uma feroz fidelidade
certa e real. Como quem
morre ou nasce na ambulância,
apesar da sirene.

(improviso para o Miguel)

Vi.

quinta-feira, novembro 09, 2006 3:11:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Devo elucidar que o "improviso" nada tem a ver com o autor citado no título do post, que verdadeiramente aprecio,mas sim com o antónimo da circunstância referida: "amigos/as, cujos livros, infelizmente, não nos empolgam.

Vi.

quinta-feira, novembro 09, 2006 4:42:00 da tarde  
Blogger JMS said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

quinta-feira, novembro 09, 2006 11:39:00 da tarde  
Blogger JMS said...

Pois é, Vi,não há bicho mais melindroso e vaidoso do que o poeta vulgaris. E o mais seguro é, como diz, procurar amizades longe de oficinas de versos, que digo?, fora das artes. Talvez seja inevitável, isso, mas dificilmente a nossa estima ou amizade resistem ao desamor do outro por aquilo que fazemos. As únicas circunstâncias em que se pode escapar a isso ocorrem quando o poeta é demasiado orgulhoso e seguro de si para ligar à opinião dos outros, ou então quando ele próprio não atribui grande valor ao que faz. Mas essas qualidades, cara Vi, são mais raras do que peixe sem espinhas, não é assim?
A única solução é rezar muito para que os nossos amigos poetas estejam sempre à altura do melhor que sabem. Obrigado pelo poema-improviso-comentário, e um abraço.

quinta-feira, novembro 09, 2006 11:43:00 da tarde  

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