domingo, setembro 17, 2006

William Shakespeare

Soneto LXVI


À morte peço a paz, já farto disto tudo,
farto de ver o mérito a mendigar o pão,
e ornar a inanidade o mais rico veludo,
e a mais ingénua fé rasgada na traição,
e o ouro de honrarias em despejados bustos,
e toda a virgindade à bruta rebentada,
e a justa perfeição nos tratos mais injustos,
e o valor contra a inépcia já não valer de nada,
e à força a autoridade na arte pôr mordaça,
e doutorais pedantes dar ao talento lei,
e a mais simples verdade por lorpa como passa,
e no cativo bem o mal ser sempre rei.
Já farto disto tudo, não mudo de caminho,
pra não deixar, morrendo, o meu amor sozinho.


Tradução de Vasco Graça Moura

1 Comments:

Anonymous O COISINHO DA ANACONDA EMPLUMADA said...

o que qualquer harold bloom jamais disse sobre este bebado:shakespeare é do caralho!!

Devouring Time, blunt thou the lion's paws,
And make the earth devour her own sweet brood;
Pluck the keen teeth from the fierce tiger's jaws,
And burn the long-liv'd phoenix, in her blood;
Make glad and sorry seasons as thou fleets,
And do whate'er thou wilt, swift-footed Time,
To the wide world and all her fading sweets;
But I forbid thee one most heinous crime:
O! carve not with thy hours my love's fair brow,
Nor draw no lines there with thine antique pen;
Him in thy course untainted do allow
For beauty's pattern to succeeding men.
Yet, do thy worst old Time: despite thy wrong,
My love shall in my verse ever live young.

domingo, setembro 17, 2006 2:24:00 da tarde  

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