sexta-feira, março 17, 2006

BUENAVENTURA DURRUTI




Neste ano de 2006 cumprem-se 70 anos da morte do anarquismo, na figura de Buenaventura Durruti. De todos os dramas da história política do século XX, o dessa morte é decerto um dos mais desconhecidos e dos menos lamentados. Talvez seja um exagero afirmar que o anarquismo morreu em Novembro de 1936 (até porque uma ideia não é coisa que se elimine facilmente, mesmo para quem manipula sofisticadíssimos arsenais de propaganda), mas, em todo o caso, ninguém pode negar que, se houve um momento em que o sonho libertário conseguiu de algum modo materializar-se (ou começar a – antes de a santa aliança de comunistas, católicos e liberais o terem liquidado), esse momento foi o Verão de 1936, quando os operários e camponeses da Catalunha e de Aragão decidiram tomar em suas próprias mãos a administração das coisas que lhe diziam respeito: o seu trabalho, a sua educação, a sua moral, a sua, enfim, vida política; sem patronatos de nenhuma espécie, e orientados pela convicção (sinistra, no entender da santa aliança acima mencionada) de que patrão deve cada um sê-lo, mas apenas de si próprio.
Consciente da importância, não diremos histórica (mas a História é quase sempre a mentira que os vencedores transmitem aos seus descendentes, n’est ce pas?), mas pessoal e sentimental do evento, e sendo morfologicamente incapaz de um encolher de ombros, o blogue Ad Loca Infecta anuncia urbi et orbi a sua intenção de zelar para que este evento não passe completamente despercebido na blogosfera.
Assim, declaramos aberta a celebração do Ano Durrutiano, na qual merecerão especial destaque as datas de 14 de Julho e de 20 de Novembro; datas essas que assinalam, respectivamente, os 110 anos do nascimento e os 70 da morte do revolucionário espanhol.

4 Comments:

Blogger Esteva said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

sexta-feira, março 17, 2006 11:33:00 da tarde  
Blogger JMS said...

You bet, Betty.

sábado, março 18, 2006 1:23:00 da tarde  
Blogger hmbf said...

E eu que nasci no dia da morte do homem... Belo post.

sábado, março 18, 2006 6:47:00 da tarde  
Blogger Esteva said...

"El ben más preciado es la libertad,
luchemos por ella con fe y valor."

Se esse momento estranho e mágico da história da luta pelas utopias passou já para sempre, que não nos esqueçamos nunca do que acima transcrevo, retirado de um dos hinos desses dias quentes : NADA HÁ DE MAIS PRECIOSO DO QUE A LIBERDADE. As famosas "fraternidade e igualdade" subsistem apenas se a liberdade for o seu oxigénio.

Republico, por apagamento acidental, o comentário que acima fiz. Sorry, baby.

domingo, março 19, 2006 1:04:00 da manhã  

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